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Estudantes formam corrente solidária virtual para não perder o 'Campus Unir' em Porto Velho


Com constantes atrasos, frota reduzida e ônibus quebrados no transporte coletivo de Porto Velho, usuários de linhas de ônibus da capital estão buscando páginas em redes sociais e grupos em aplicativos de mensagens para tentar reduzir a agonia pela espera do ‘busão’. A linha Campus Unir, que faz a rota do centro da cidade até o campus da Universidade Federal de Rondônia (Unir), é tema de um grupo em um aplicativo de mensagens.

Os estudantes da Unir usam o grupo principalmente para informar a localização dos ônibus que fazem a linha, mas no espaço também há momentos de “achados e perdidos”, divulgação de festas e ofertas de doces e artesanatos que os acadêmicos vendem para ajudar a custear livros e o próprio transporte.


O criador da página é o estudante de Engenharia Civil Nayron Bruno, que usa a linha diariamente para ir até o campus, na BR-364. Ele contou ao G1 a história da página e diz que a ideia inicial era fazer os desabafos, mas, como é comum na internet, as situações cotidianas acabaram virando memes.

“A página do Twitter foi criada despretensiosamente pra falar a verdade. O objetivo inicial era simplesmente 'desafogar' a minha conta pessoal das inúmeras reclamações diárias que eu fazia sobre os problemas que eu enfrento diariamente com o transporte público de Porto Velho, como superlotação e o sucateamento", lembra.

Criada em novembro de 2017, a página “Perdi o Campus Unir?” tem cerca de 900 seguidores. Na descrição da rede social o administrador se apresenta como “um jovem tão conformado com o transporte público que chega ao ponto de fazer piada”.

Na página, uma das estudantes que faz o uso do transporte coletivo montou um questionário online para que os alunos respondessem o que achavam do serviço prestado na linha.

As respostas revelam que o tempo de espera pelo ônibus, para mais da metade dos participantes, é de cerca de 30 minutos. Quanto ao serviço prestado pelo consórcio SIM (disponibilidade de ônibus, pontualidade, funcionários, e qualidade dos ônibus) 73,8% dos participantes consideram fraco, 23,8% acham moderado, e 2,5% avaliam como satisfatório.

Em uma das principais publicações na página, um vídeo repercutiu entre os seguidores. Ele mostra a teto do ônibus sem a tampa, durante uma chuva. Na situação, algumas pessoas se molharam e uma mulher chegou a abrir um guarda-chuva dentro do coletivo.

Ao perceber que além de servir como espaço para denunciar problemas, a internet poderia ajudar a amenizar essas dificuldades, Nayron resolveu criar grupos em apps de mensagens com os passageiros do campus.

“A ideia de criar os grupos do Whatsapp veio depois da página, quando eu vi um post no twitter de um cara aleatório que tinha dito que a linha de ônibus dele tinha grupos de whatsapp dos usuários que sempre informavam onde estava o ônibus, se tinha assentos vazios e etc”.

Nayron lembra que a empresa que presta o serviço na capital rondoniense já ofereceu um aplicativo que mostrava a localização em tempo real dos veículos.

“De uns tempos pra cá esse app parou de funcionar, e aí eu enxerguei uma oportunidade de fazer os nossos próprios grupos do WhatsApp, onde os próprios estudantes compartilhassem informações a respeito da localização dos ônibus”, afirma.

Atualmente, os usuários compartilham não só a localização, mas outras informações que consideram pertinentes, a respeito do transporte público e outras questões estudantis.

O consórcio SIM informou que descontinuou o aplicativo “Meu ônibus SIM” porque os custos de manutenção eram altos e por problemas de sinal, a plataforma não funcionava bem. O consórcio diz que investiu o recurso em instalação de câmeras e GPS nos veículos para fiscalizar o cumprimento das rotas.

Ao G1, o secretário municipal de trânsito de Porto Velho, Nilton Kisner, disse acreditar que a licitação para concessão definitiva do serviço de transporte público na capital deve resolver alguns dos problemas citados na reportagem, já que a empresa que assumir, terá segurança para investir por um período de 15 anos.


Fonte: G1/RO

*Colaborou Alisom Brito