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Família faz BO contra hospital e cita 'tensão' em equipe médica após bebê morrer na barriga da Mãe



A família da bebê Cecília, que morreu na barriga da mãe antes de nascer, registrou boletim de ocorrência nesta quarta-feira (26) contra o Hospital Regional de São Francisco do Guaporé (RO), a 600 quilômetros de Porto Velho. Segundo denúncia da família, Cecília morreu porque não havia médico anestesista no hospital para fazer a cesárea.

O caso ficou conhecido nacionalmente na última sexta-feira (21), depois que os próprios pais postaram uma foto no Facebook desabafando sobre a suposta negligência médica no hospital. Na imagem eles aparecem abraçados ao corpo da filha. Nesta quarta-feira, a família procurou a delegacia de São Francisco para denunciar o hospital. A Polícia Civil registrou o caso como 'morte a esclarecer' e um delegado assumiu a investigação. Segundo registro policial, que o G1 teve acesso com exclusividade, Keylyzangela Nillio, de 28 anos, estava na 39ª semana de gestação. Toda a sua gravidez foi acompanhada por uma equipe médica de um posto de saúde local. Na terça-feira (18), Keylyzangela se sentiu mal e precisou ir até o Hospital Regional de São Francisco. A médica obstetra de plantão percebeu que havia uma alteração no batimento cardíaco da bebê Cecília. Foi apontado a necessidade de ser feito um parto urgente, mas a unidade não tinha uma anestesista de plantão.

De acordo com denúncia da família, a gestante precisou esperar mais de 10 horas — até o plantão da única anestesista da cidade começar — para então ser feito a cesárea. Com não era possível o parto durante a noite, a médica teria aplicado medicamentos na gestante e manteve Keylyzangela internada.

O boletim de ocorrência cita que na manhã seguinte, por volta de 6h15 de quarta-feira (19), a equipe médica fez uma verificação dos batimentos cardíacos da bebê e os mesmos estavam ativos.

Às 7h, segundo denúncia da família, houve a troca de plantão e a nova equipe médica não cumpriu o procedimento de aferir os batimentos do bebê a cada 30 minutos — que havia sido adotado durante toda a noite.

Somente por volta de 7h45 a nova equipe fez uma aferição na barriga da gestante, momento que não foi mais constado batimentos cardíacos da bebê.

"Houve então uma grande tensão entre a equipe médica, que rapidamente deu início ao trabalho de parto, não sendo permitido a presença de nenhum membro da família durante o procedimento cirúrgico", relata a tia Elaine Oliveira no boletim.

Após o trabalho de parto, a equipe médica informou aos familiares que Cecília tinha nascido sem vida devido à ingestão de líquido amniótico, parada cardíaca, e uma suposta má formação do bebê.


Segundo boletim de ocorrência, a direção do hospital de São Francisco não teria permitido que a família levasse a gestante para outro hospital da região que tivesse anestesista (durante a noite), para que Keylyzangela pudesse fazer o parto de emergência.

O que diz o relatório do Hospital?

"De acordo com o boletim médico, a paciente K.F.N, de 28 anos, grávida de 39 semanas, chegou no hospital no dia 18/08 às 20:46h, encaminhada por uma Unidade de Pronto Atendimento por apresentar alteração no batimento cardíaco fetal (BCF), que era de 165 batimento por minuto, sem apresentar qualquer outro sintoma: a paciente não sentia dor, não estava com perda de liquido, sem sangramento, e não estava em trabalho de parto.

A mesma foi atendida por um obstetra plantonista, que realizou todo procedimento clínico, e foi realizado monitoramento do BCF de 30 em 30 minutos durante todo plantão noturno.

Na manhã seguinte às 06:30h, o bebê apresentava BCF de 160 bpm. Às 07:30 foi indicado parto cesárea, já iniciando a preparação da paciente. Às 07:35h teve início o procedimento com EQUIPE COMPLETA (OBSTETRA, MÉDICO AUXILIAR, ANESTESISTA, PEDIATRA, ENFERMEIRO, TÉCNICO DE ENFERMAGEM), com retirada do feto em parada cardiorrespiratória (PCR), iniciando imediatamente o protocolo de massagem e passado ao pediatra presente na sala cirúrgica.

O recém-nascido apresentava liquido amniótico espesso e presença de mecônio. Foi realizado todo protocolo para a PCR e síndrome de aspiração de mecônio, com desfecho desfavorável", afirma o Hospital, através da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

Ao G1, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), responsável pelo hospital de São Francisco, disse que atualmente o hospital só tem um profissional terceirizado para o serviço de anestesia (e este não estava de plantão no dia) e um outro médico habilitado para anestesiar encontra-se afastado.

"Atualmente existe um contrato com empresa terceirizada para prestação de serviço de anestesia com um profissional contratado para cumprimento de 20 plantões diurnos de 12 horas cada plantão".


Fonte: G1/RO